quarta-feira, 11 de julho de 2007

Luz em Agosto, de William Faulkner





Acabo de terminar a leitura de um livro fundamental para a minha vida a partir de agora. Trata-se de Luz em agosto, do "fundador de mundos" William Faulkner. Este senhor foi o mesmo que me chocou há um tempo atrás com o igualmente fundamental O som e a fúria.

Como o escritor Marçal Aquino destacou num bate-papo sobre literatura certa vez, os romances de Faulkner (que estão sendo reeditados pela editora Cosac Naify) não são lidos, mas chamam para a briga. É impossível fazer uma leitura superficial de Faulkner, necessariamente entra-se nos meandros psicológicos dos personagens. É um exercício de aprofundamento e entrega, quase plena, que retira gradualmente e também aos solavancos suas forças. Marcelino Freire, ao ler Luz em agosto, disse que se pegava abaixando o livro e olhando para o teto de sua casa, tamanha "dor" que sentia. É uma narrativa escura, com pouca luz e ao mesmo tempo quente e empoeirada como uma estrada cruzando o deserto. Nunca se vê o fim, mas você tem de prosseguir.

Começamos o caminho por Lena Grove, adolescente que sai a procura do homem que a engravidou. Passamos por Byron Bunch e o reverendo Gail Hightower. Joe Christmas surge então, como personagem que os outros passarão a circundar, como satélites cheios de vida e amargura. Aliás, Christmas nos é desvelado como um homem sem identidade, aturdido pela incerteza quanto a ser é de fato negro ou branco, incerteza essa que o levará ao calvário.

Um dos pontos mais interessantes do romance é a sua estrutura narrativa, com um narrador em terceira pessoa onisciente e onipresente, mas que adere a seu relato fatos que são apenas ouvidos, ou boatos, ou divagações sobre os acontecimentos. O passado é elemento recorrente e primordial na construção desses personagens. Luz em agosto se refere a uma luz que viria do passado, iluminando o presente, numa mistura de impossibilidade de fuga e iluminação que leva a redenção.

Romance belíssimo, polifônico, indispensável

Um comentário:

Guilherme Nogueira de Souza disse...

Apenas registrando a leitura... rs!
Que livro fantástico... rs!