sábado, 7 de julho de 2007

Baixio das Bestas



Tá, vi pela segunda vez, tive de ver pela segunda vez.
É ácido? É. É forte? ...É.
Um filme que talvez só faça sentido se Amarelo Manga, do mesmo diretor, já tiver sido visto.
Se no primeiro o mundo está doente, no segundo o mundo morreu.
Se no primeiro a mulher mostra força diante da brutalidade masculina, no segundo ela é apenas um utensílio para essa mesma brutalidade.
Se no primeiro a fotografia é amarelada (doente) no segundo ela alcança uns nuances de azul e cinza fantásticos (putrefação e morte).
Cláudio Assis dirige um filme com a mão pesada de quem já viu aquelas feridas abertas. Ele tem legitimidade para tratar daqueles assuntos como ninguém. E consegue, numa obra que em muitos momentos parece provinciana, alcançar a universalidade.
Se tiverem coragem de assistir, prestem atenção nas sequências iniciais do poema sobre a usina e na cena final, da chuva torrencial.
É um filme sobre o tempo e a morte. E para não ser de todo pessimista, um filme sobre a superação da morte, que na verdade é o que a arte faz. Existem filmes melhores sobre isso? Sim, mas esse filme, agora, talvez seja necessário.

Baixio das Bestas
direção de Cláudio Assis
fotografia de Walter Carvalho

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