sábado, 21 de julho de 2007

Pan-americanismo no cinema

Está rolando uma mostra de filmes na Caixa Cultural sobre filmes que mostram alguma visão sobre a América, principalmente a América Latina. Alguns são imperdíveis hein. Vai rolar Babel, Soy Cuba, Brincando nos campos do Senhor, Viva México, Veneno da madrugada...oportunidade única

http://www.telabrasilis.org.br/pan

confiram a programação no site...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Luz em Agosto, de William Faulkner





Acabo de terminar a leitura de um livro fundamental para a minha vida a partir de agora. Trata-se de Luz em agosto, do "fundador de mundos" William Faulkner. Este senhor foi o mesmo que me chocou há um tempo atrás com o igualmente fundamental O som e a fúria.

Como o escritor Marçal Aquino destacou num bate-papo sobre literatura certa vez, os romances de Faulkner (que estão sendo reeditados pela editora Cosac Naify) não são lidos, mas chamam para a briga. É impossível fazer uma leitura superficial de Faulkner, necessariamente entra-se nos meandros psicológicos dos personagens. É um exercício de aprofundamento e entrega, quase plena, que retira gradualmente e também aos solavancos suas forças. Marcelino Freire, ao ler Luz em agosto, disse que se pegava abaixando o livro e olhando para o teto de sua casa, tamanha "dor" que sentia. É uma narrativa escura, com pouca luz e ao mesmo tempo quente e empoeirada como uma estrada cruzando o deserto. Nunca se vê o fim, mas você tem de prosseguir.

Começamos o caminho por Lena Grove, adolescente que sai a procura do homem que a engravidou. Passamos por Byron Bunch e o reverendo Gail Hightower. Joe Christmas surge então, como personagem que os outros passarão a circundar, como satélites cheios de vida e amargura. Aliás, Christmas nos é desvelado como um homem sem identidade, aturdido pela incerteza quanto a ser é de fato negro ou branco, incerteza essa que o levará ao calvário.

Um dos pontos mais interessantes do romance é a sua estrutura narrativa, com um narrador em terceira pessoa onisciente e onipresente, mas que adere a seu relato fatos que são apenas ouvidos, ou boatos, ou divagações sobre os acontecimentos. O passado é elemento recorrente e primordial na construção desses personagens. Luz em agosto se refere a uma luz que viria do passado, iluminando o presente, numa mistura de impossibilidade de fuga e iluminação que leva a redenção.

Romance belíssimo, polifônico, indispensável

domingo, 8 de julho de 2007

À leste de Bucareste

É um filme romeno. Nunca tinha visto nenhum filme romeno antes. E descubro que o cinema romeno está no boom. Acho que o ganhador de Cannes foi um filme romeno. Também nunca vi nenhum romeno.
E adorei o cinema romeno. Ou melhor, tendo visto apenas esse filme romeno, não posso dizer que conheço ou que gosto do cinema romeno, mas ele me parece muito bom.
É um filme sobre uma possível revolução ocorrida na Romênia no final da década de 80, que depôs um ditador, cujo nome me foge à lembrança. Mas calma pessoal, é uma comédia! Mais da metade da película se passa num programa de TV que debate assuntos importantes em uma emissora bem precária. O entrevistador convida um professor de história alcoólatra e um senhor ranzinza que passa o Natal ganhando a vida como papai noel, e o resultado dessa entrevista é imprevisível. Isso porque ao invés de vermos a discussão sobre a tal "revolução", assistimos a uma série de ligações de telespectadores negando a presença do professor de história na praça onde ocorreu o tal levante. Outros dizem que eles estava ali sim, mas num bar enchendo a cara...
É um filme sobre história ,construção de identidades, memória coletiva. E tudo com um humor que faz o filme valer a pena.

À leste de Bucareste
direção de Corneliu Porumboiu

Jesse Harris and The Ferdinandos


Lá vai uma dica de CD: Jesse Harris and the Ferdinandos, álbum While the music lasts.

Trata-se de um excelente álbum recheado de canções pop sofisticadas, com um toque jazzístico e uma pitada de blues também. Esse cara é um grande parceiro de composições da Norah Jones, tendo até mesmo tocado, se não estiver enganado, na banda que a acompanha nos shows. Destaque para arranjos excepcionais, como o da canção Mirror Ball. Há também baladas maravilhosas como Always Seem To Get Things Wrong e letras que tocam como a de Wish I Was a Bird. Enfim, ouçam e se deliciem com While The Music Lasts!




Trilhas sonoras

Estava eu assistindo ao belíssimo filme Além do desejo, um filme dinamarquês, ou norueguês, ou sueco (?) e fiquei preso à música que tocava no fim do filme. Tive então de esperar os looongos créditos apenas para poder anotar o nome da música e baixá-la depois em casa. Tendo feito isso, notei que essa música também está como tema principal de um outro filme, que não assisti ainda, chamado A vida secreta das palavras (a música esta no trailer), ou seja, a música está a la bombée. O nome do grupo é Antony and the Johnsons e a música se chama Cripple and the starfish...
Escrevendo sobre música e cinema, me lembro agora de outras músicas que me emocionaram e ainda me emocionam:
1. The blower´s daughter em Closer, tanto na cena inicial como nas cenas finais. Acho que me arrepio até hoje revendo esse filme fantástico. Aliás, me arrepio com todas as músicas do CD O, do Damien Rice.
2. Juízo final, acho que com o Nelson do Cavaquinho, em Proibido Proibir e acho que no fim de Cidade de Deus.
3. She, Elvis Costello em Um lugar chamado Notting Hill. Nem gosto tanto do filme, mas essa música, poxa!!
4. Inverno, Adriana Calcanhotto, no filme Doces Poderes, da Lúcia Murat. Aquelas cenas noturnas de Brasília e essa mulher cantando isso me chocam até hoje!
5. Caminhemos, Adriana Calcanhotto de novo, música de Herivelto Martins, no filme O vestido, do Paulo Tiago. Outra que me fez chorar.
6. A trilha de Irreversível, aquele fime fortíssimo com a Monica Bellucci. Dark electro e Beethoven, meu Deus!!

E vocês? Que trilha marcou sua vida?

sábado, 7 de julho de 2007

Baixio das Bestas



Tá, vi pela segunda vez, tive de ver pela segunda vez.
É ácido? É. É forte? ...É.
Um filme que talvez só faça sentido se Amarelo Manga, do mesmo diretor, já tiver sido visto.
Se no primeiro o mundo está doente, no segundo o mundo morreu.
Se no primeiro a mulher mostra força diante da brutalidade masculina, no segundo ela é apenas um utensílio para essa mesma brutalidade.
Se no primeiro a fotografia é amarelada (doente) no segundo ela alcança uns nuances de azul e cinza fantásticos (putrefação e morte).
Cláudio Assis dirige um filme com a mão pesada de quem já viu aquelas feridas abertas. Ele tem legitimidade para tratar daqueles assuntos como ninguém. E consegue, numa obra que em muitos momentos parece provinciana, alcançar a universalidade.
Se tiverem coragem de assistir, prestem atenção nas sequências iniciais do poema sobre a usina e na cena final, da chuva torrencial.
É um filme sobre o tempo e a morte. E para não ser de todo pessimista, um filme sobre a superação da morte, que na verdade é o que a arte faz. Existem filmes melhores sobre isso? Sim, mas esse filme, agora, talvez seja necessário.

Baixio das Bestas
direção de Cláudio Assis
fotografia de Walter Carvalho

Marisa Monte

Sessões extras do show Universo Particular, nos dias 13, 14, 20 e 21 de julho, no VIVO RIO!
Tive o grande prazer de assistir a esse espetáculo maravilhoso na estréia da turnê no Rio, ainda no Claro Hall (agora Citibank Hall), em julho do ano passado.
Se o show tiver o mesmo formato, lá vai alguns toques pra quem for assistir:
1. Esteja devidamente sentado quando sacar que o show for começar. É porque as luzes se apagam totalmente na primeira música... ou seja... se você estiver em pé, com certeza vai ficar tateando seu lugar e vai deixar de prestar atenção a música e aos pequenos clarões lançados no rosto dela, que revelam que ela está numa posição um pouco diferente para uma artista se apresentando num palco normal.

2. Não fique criticando o excesso de fiação e de aparição das estruturas do palco. Esse, digamos assim, minimalismo, faz parte da proposta do show.

3. Não fique tenso com o grande aparato cênico em cima da cabeça da moça. Aquilo não vai despencar. (Confesso que fiquei tenso em alguns momentos)

4. Curta o visual amarelão. Curta o visual dos vídeos. Curta a lua!!!

5. Não pague o mico de perguntar se o sabonetezinho da Natura é pra você. E se você já tiver sacado que é, deixe-o na mesa até o término do show. (Dica básica de etiquette né galera?)

6. E pra terminar, se ela pedir pra todos se levantarem, levantem-se!

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Paris, eu te amo

Nessa segunda-feira fui com amigos assistir a pré-estréia de Paris, eu te amo, um filme composto de uma penca de curtas, de vários diretores renomadíssimos como Tom Twiker (tenho certeza que o sobrenome dele não é assim, mas ele é diretor de Corra Lola, corra), Walter Salles (Central do Brasil), Isabel Coixet (A vida secreta das palavras), Gus Von Sant (Elefante, Gênio Indomável), todos passados em Paris e nos seus arredores, contando histórias de amor, de busca, de solidão, de perdas, de encontros inusitados, de terror... Todos têm em comum uma Paris cosmopolita (metade dos atores não falam francês no filme) e cercada de alguns estereótipos que o próprio cinema ajudou a difundir. Não poderiam faltar nesse longa o francês desesperado, os intelectualismos (ismos mesmo, ok?) e o amarelo recorrente em filmes passados em Paris (Acossado só não é amarelo porque é preto e branco). E o filme é sim apaixonante. Dá aquela vontadezinha de abraçar alguém no final da exibição... Aliás, vale a pena ressaltar que o Maison de France estava abarrotado de gente. Era doido saindo pelos ladrões. O representante da Imagem Filmes, distribuidora do filme aqui no Brasil, estava radiante com tanta gente! Espero que aquele público não seja o único público que terá assistido ao filme, como um amigo meu pontuou (jocosamente, ok de novo?).
Então é isso aí, assistam Paris, eu te amo! Entra em cartaz nos cinemas do Estação e talvez também do Unibanco Arteplex nessa sexta (dobradinha talvez inédita, então o filme vale a pena mesmo, ok???)

domingo, 1 de julho de 2007

Atlas América

Exposição do Oi futuro, que reúne a produção de artistas da américa latina e tenta esboçar uma espécie de mapa nosso. São 14 vídeos que passeam por diversas linguagens de vídeo e trabalham com poéticas variadas. Destaque para o vídeo de Miguel Angel Rios, On the edge, onde piões passam pelo chão violentamente. A curadoria teve o cuidado de no folder da exposição fazer um apanhado teórico geral das obras, que se por um lado delimita o olhar, pode também abrir novos caminhos de percepção.



Oi futuro
de terça a domingo das 11h às 20h
até dia 5 de agosto
http://www.oifuturo.org.br/

Os demônios



A peça Os demônios, baseada na obra homônima de Dostoievski, fica em cartaz no teatro 2 do CCBB até o dia 8 de julho. Não percam!


Teatro 2
De quinta a domingo 19hs
Sábado 16h e 19h
R$10,00 e R$ 5,00

Anos 60 no Laura Alvim

Programação imperdível de filmes no Estação Laura Alvim, sempre às terças-feiras, às 21:30, sala 2, tudo FREE!

3 de julho Assalto ao trem pagador de Roberto Farias
10 de julho O processo de Orson Welles
17 de julho Os amantes de Louis Malle
24 de julho Oito e meio de Frederico Fellini
31 de julho Viridiana de Luis Buñuel


Cinema




Assisti um dia desses a Cão sem dono, do Beto Brant (de O invasor, Crime delicado...), baseado no livro Até o dia em que o cão morreu, do Daniel Galera, também devidamente lido!!

Adorei a estrutura do filme, de pequenos e médios blocos narrativos que são trocados por um esmaecer de luz que eu adoro ver nos filmes. É a vida do (?, esqueci o nome de todos os personagens), rapaz urbano, formado em Letras (aiiii), tradutor de russo (!), meio desesperadinho, meio solitariozinho, de barba sempre por fazer, de apartamento cheio de livros e ultra-bagunçado, enfim, mais um cenário cheio de dejà-vus que volta e meia aparecem no cinema brazuca e mundial tambiém. Ele está com uma garota, modelo, sonhadora, cheia de planos e vive um relacionamento com ela totalmente sem amarras. O cara é tão blasè que não parece ficar a vontade nem num jantarzinho preparado pelo motoboy que havia atropelado essa mesma moça, com muito Jimi Hendrix e maconha... O filme é muito bom, entra-se muito fácil no barato dele, o espectador sente-se tão sozinho quanto ele na poltrona. Além do mais, assisti esse filme no Estação Botafogo e nunca me senti tão sozinho no cinema. Eita cinemazinho vazio dia de semana, putz! A sala 1 então, looonnnga e mal conservada, com aquelas luzes vermelhas e azuis de puteiro..ah, deixa pra lá

Corram pra assistir esse filme antes que ele saia de cartaz, se bem que ele resiste já bravamente por 3 semanas em face dos Shreks da vida.

Cão sem dono
direção de Beto Brant


sábado, 30 de junho de 2007

Será que sou o único?

Hoje de tarde estava dando uma olhada pelas prateleiras de livros em casa e me vi tentando relembrar as estórias contadas, os nomes dos personagens, os locais onde tudo se passava, apenas pela lombada dos livros. E percebi que tenho alguns livros que nunca vi serem comentados em parte nenhuma do globo. Será que só eu e o autor/autora conhecemos o livro? Ai meu deus



Trilogia do assombro, da Helena Jobim... alguém já leu esse romance? É aquele, da capa com uma mulher desenhada com os peitos pra fora, parecendo ter um orgasmo!! Então, já leram? Não??!!



Controle remoto, do Andy McNab... com as folhas prateadas (acho que só comprei por isso) e um revólver na capa... suspense..meio CSI...Não??



O som e a fúria, do William Faulker...ahhhhh esses vocês já ouviram falar neh!! O que? Só ouviram falar, mas nao leram?

(Acho que preciso ler e ter O mundo de Sofia e Fernão Campelo Gaivota. Ou será Capelo?)









Cadernos desnecessários

Casa de encontros é o nome desse blog, certo? Queria mesmo, de verdade, Litania. Mas, infelizmente, esse nome não estava disponível pois algum ser desavisado (?) me plagiou. Fazer o que né?

LITANIA

Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos - um poço fitando o céu.

(trecho 11 do Livro do desassossego, do desassossegado e aflito Fernando Pessoa)

litania s.f. (erud.) Ladainha
ladainha s.f. 2. (fig.) Enumeração longa e fastidiosa; lengalenga (!)

Ok, então por que Casa de encontros?
Vi que a Companhia das Letras lançou um romance com esse título, de um autor britânico chamado Martin Amis, que nunca tinha ouvido falar na vida. Mas olha que legal! CASA DE ENCONTROS, não encontro, mas sim ENCONTROS... Deve dar pano pra manga esse título, não acham?
Pois bem, espero que ele me acompanhe bom uma boa dose de anos!
Quero um espaço de dicas sobre cinema, artes plásticas, teatro, literatura, mús... oops... ainda me pergunto sempre sobre o porquê de nas enumerações dos tipos de arte colocarem o nome literatura sempre em quarto, quinto ou último lugar!
Refazendo então a enumeração: literatura, cinema, teatro...
enfim... tudo que esteja relacionado a arte e também ao Rio de Janeiro... ao carioca... a mim né????
Participem , comentem, sejam bem-vindos à casa!